O PRÍNCIPE DAS TREVAS TEM CEP EM OSASCO

Cercado por fãs fiéis, André Vianco se firma, romance a romance, como o Stephen King de SP

Rodrigo Fonseca

Nos múltiplos planos que acalenta para os próximos meses, André Vianco vai levar às livrarias uma sequência do romance de tintas siderais “Dartana” e investir pesado na luta por uma vida longa e próspera para o terror brasileiro. De 1998 até hoje, ele soma 23 livros publicados, com cerca de um milhão de exemplares vendidos. Seu maior sucesso, Os sete”, que foi lançado em fevereiro de 2000, vai completar 20 anos em 2020. Nascido em SP, em 1975, ele adotou Osasco como sua Gotham City e, de lá, gera uma literatura que desafia as leis do Além.

O que esperar de “Dartana 2” e de suas/ seus protagonistas?
André Vianco: É continuação de “Dartana”. É a história de um planeta onde os habitantes têm a cognição devorada todos os dias e, por isso, não conseguem aprender, tampouco ter um desenvolvimento intelectual, até que seu deus de batalha, uma criatura titânica, materializa-se de tempos em tempos no “hangar” das feiticeiras de Dartana. Atrás dele, há um exército de miseráveis para o Combatheon, a terra das lutas, para tentar reverter esse jogo. Lá, no primeiro volume, os guerreiros de Dartana tiveram que enfrentar criaturas vindas de todo o universo e construir suas armas. Agora, eles são guiados pelo saber do “deus de guerra”. Em “Dartana” (spoiler alert) os soldados, construtores e feiticeiras oriundos de Dartana conseguem a vitória, mas o resultado é um tanto amargo. A continuação, “Dartana 2”, é justamente a história de como o planeta muda depois dessa vitória e o que será dos sobreviventes que sagraram-se campeões no Combatheon.                   

Como as atuais crises políticas no Brasil afetaram a literatura? O que o terror ganha com esse clima de Censura no ar? 
André Vianco: Ninguém ganha com esse clima de censura no ar, mas não é um jogo perdido. Contar é preciso, na ficção, na não ficção, precisamos continuar livres. Terror agora é ficar calado, imóvel, sem ter o que dizer.  

Qual seria a maior marca de brasilidade do horror nacional?
André Vianco:
Acho que a maior marca e o signo do escritor nacional do gênero se confunde com a própria meta de nossos protagonistas, nos enredos sombrios que tanto cativam: fazer o gênero continuar vivo. Sobreviver! A produção de histórias de terror cresce e cresce também a vontade dos leitores conhecerem mais os escritores, escritoras e produtores de audiovisual de terror. Então essa busca por sobreviver ainda é a maior marca do horror nacional. 

Que planos você acalenta para o audiovisual este ano e que novos livros virão por aí?
André Vianco: Sou um apaixonado por storytelling e minha obra está se esparramando por diversas plataformas. É curioso ver como esse processo se acelerou com a chegada das plataformas de streaming, o jeito que os leitores se conectam com as histórias está moldando a forma como as provedoras de conteúdo ofertam nossas invenções. No audiovisual tem coisas grandes rolando, mas ainda sob o famoso sigilo estratégico, não posso comentar. Meus próximos livros são os que queimam meu coração. Posso adiantar que “Dartana 2” está um espetáculo. No segundo semestre tem a (também continuação de outra saga): “As crônicas do fim do mundo 2”. Os leitores amam o gótico de Osasco.