GAULESES EM ANIMAÇÃO AOS 60 ANOS


RODRIGO FONSECA


Republicações de clássicos deRené Goscinny e Albert Uderzo pululam em quiosques e nas livrarias do Velho Mundo em comemoração dos 60 anos do baixinho mais invocado (Wolverine Howard o Pato e Bone que nos perdoem) das HQs, com direito a uma aventura animada que fez exibidores da França (e alguns dos Brasil) sorrirem de orelha a orelha. Inimigo jurado dos romanos há seis décadas, Astérix celebrou sua condição de sexagenário (e seu êxito editorial) com um filme que vendeu 3,7 milhões de ingressos em circuito francês, entre dezembro de 2018 e janeiro deste ano. Lançado aqui em setembro, o longa-metragem já já entra na grade da TV a cabo. Quem fez a mais recente peripécia cinéfila do gaulês foi a dupla de cineastas Louis Clichy e Alexandre Astier, que não se rendeu às tradições pictóricas do herói tamanho PP criado em 1959, na revista “Pilote”, por Goscinny e Uderzo. A divertida trama de “Astérix e a Poção Mágica” narra o empenho do druida Panoramix em encontrar um substituto, tendo como potenciais candidatos um certo cabeludo nazareno capaz de multiplicar pães. No Brasil, Gregório Duvivier dubla Astérix e Leonardo José faz a voz de Panoramix. Lá fora, Christian Clavier, Guillaume Briat e Alex Lutz integram o elenco de vozes do filme. Clichy conversou por e-mail com o Bonsucesso Blues para falar de sua versão para este clássico dos gibis. “Existe um passado significativo para Astérix, mas não queremos nos prender a ele. Trata-se de um herói cujo estilo gráfico se alinha com a moda da Bélgica nas HQs. Ele ficou muito popular no Pós-Guerra, por fazer referência à ação da Resistência Francesa.

Existe muita ironia em relação à cultura da França. É um personagem que impõe um desafio: fazer com que essa figura demonstre diferentes sentimentos. Mas ainda que o gaulês seja muito conhecido mundialmente, em nosso filme, o nosso primeiro interesse foi dialogar com as plateias francesa, antes de tudo. Pode soar egoísta, mas era uma afirmação. Descobri seu universo bem tarde, pois não tinha muitas HQs em casa. Descobri ele pela TV, em desenhos. Só depois eu li seus quadrinhos. Eu nunca fui um dos fãs ardorosos, o que me deu distanciamento”, disse Clichy, ciente de que a animação foi um dos sucessos do Festival Varilux deste ano, em todo o Brasil. “O nosso maior desafio foi não usar o CGI para fazer algo realista. Queríamos uma fantasia que fosse cheia de cores. Com uma marca como Astérix, o ideal é voltar ao grafismo dos quadrinhos originais, ainda que da nossa maneira. Uma rocha que é arremessada não pode ser uma rocha real e sim uma rocha do universo de cores de Astérix. E nem há como competir com a animação americana. Não temos o orçamento deles e nem fazemos testes de audiência. Tivemos o corte final do filme, com liberdade total”.